Após o Dilúvio e a dispersão de Babel, o foco do plano de Deus se estreita para um único homem, Abraão (originalmente Abrão). O chamado de Abraão em Gênesis 12:1-3 é um evento pivotal, visto na perspectiva evangélica e reformada como o momento em que a Aliança da Graça é formalmente estabelecida, dando forma à promessa feita no Protoevangelium (Gn 3:15).
A teologia reformada enfatiza que este chamado é um ato de Graça Soberana pura. Deus chama Abraão de Ur dos Caldeus, uma terra idólatra, sem que Abraão tivesse qualquer mérito. A essência desta aliança está na promessa tripla de Deus:
* Terra: Uma terra prometida (Canaã).
* Descendência: Uma descendência numerosa, que se tornaria uma grande nação.
* Bênção Universal: Ele seria uma bênção para todas as famílias da terra, o que aponta diretamente para o Messias, que viria de sua linhagem.
A resposta de Abraão é a fé obediente (Hebreus 11:8). O princípio teológico mais crucial é estabelecido em Gênesis 15:6: “Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça”. Este versículo é a base de toda a doutrina da Justificação pela Fé (\text{Sola Fide}), confirmando que a salvação sempre foi pela graça e fé, e não pelas obras da lei. Abraão é, portanto, o pai de todos os crentes.
A história de Abraão e Sara está marcada por provações de fé, como o longo período de esterilidade de Sara e a tentativa humana de apressar a promessa por meio de Hagar e Ismael. Contudo, a aliança é confirmada por um sinal físico, a circuncisão, e pela intervenção milagrosa de Deus, que renova a promessa de que a descendência viria de Sara, no tempo determinado de Deus.

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